Ano Dedicado a São José

Irmão e irmã em Cristo, paz e bem!

Você e eu sabemos da importância de um pai na vida de cada pessoa, não é mesmo? Deus também o sabe! Tanto é que deu a Jesus um pai adotivo aqui na terra: São José. E quando o Papa proclama um ano dedicado ao Patrono da Igreja, o “Ano de São José”, podemos refletir como será especial esse tempo de graça!

O Ano dedicado a São José recorda os 150 anos da declaração do esposo de Maria como Padroeiro Universal da Igreja. Ao mesmo tempo em que realiza a abertura desse Ano Josefino, o Papa Francisco publicou a carta Patris corde - Com o coração de Pai – destacando a paternidade de São José com a qual ele fez de sua vida uma oblação de si mesmo como serviço a Jesus.

O propósito do Sumo Pontífice é fazer aumentar em nós o amor por este grande Santo, motivando-nos a implorar a sua intercessão e imitar as suas virtudes, afinal, este humilde carpinteiro de Nazaré, pobre de meios, mas certamente rico das mais autênticas virtudes, foi escolhido entre todos, inclusive entre os mais sábios, para educar o próprio Filho de Deus.

O documento escrito por Francisco traz reflexões pessoais sobre a figura extraordinária de São José, tão discreto e tão próximo a nós sobretudo em situações difíceis como a que estamos vivendo. Afinal, diz o Papa que durante o tempo da pandemia podemos perceber que nossas vidas são sustentadas por pessoas comuns, mas que marcaram nossas vidas como os médicos e enfermeiros, trabalhadores comuns, pais e avós, professores e tantos outros que entenderam que ninguém se salva sozinho.

A Carta Apostólica tem poucas páginas, não obstante traz em si ensinamentos e reflexões de valor inestimável. Aqui, despretensioso em querer esgotar toda a sua profundidade, gostaria de ater-me a alguns pontos, que a mim, me pareceram ir fundo ao coração.

Inspirado na obediência e ternura de São José, o Papa nos convida aprender a aceitar a nossa fraqueza e diz: “muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza.” E prossegue: “A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós.”

Como São José, o Papa também nos ensina a ter fé em Deus. No meio da tempestade de uma pandemia ou quaisquer outras tormentas pelas quais passamos, “...não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.”

Em outro ponto, o Papa destaca São José como aquele que, assim como Maria, soube acolher, dizendo que “na nossa vida, muitas vezes sucedem coisas, cujo significado não entendemos.” E quando isso ocorre, é necessário acolher e reconciliar-nos com a nossa própria história, aceitando a vida como ela é, mesmo as suas contrariedades..

No plano da salvação, os Evangelhos relatam o cuidado e a proteção que José tivera para com Jesus e Maria. Hoje também, “José,  continuando a proteger a Igreja, continua a proteger o Menino e sua mãe; e também nós, amando a Igreja, continuamos a amar o Menino e sua mãe.” E o que é amar o Menino e sua mãe? Certamente é amar os pobres: os preferidos de Deus.

Francisco ressalta que nos anos de vida oculta em Nazaré, Jesus foi educado na “escola de José”, sendo-lhe obediente. Afirma o Papa: “Não se nasce pai, torna-se tal...”. E, assim, concluo com a sugestiva reflexão acerca da paternidade: “Ser pai significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, mas torná-lo capaz de liberdade, de partir. (...) A lógica do amor é sempre uma lógica de liberdade, e José soube amar de maneira extraordinariamente livre.”

Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, vale lembrar que “um pai sente que completou a sua ação educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou ‘inútil’, quando vê que o filho se torna autônomo e caminha sozinho pelas sendas da vida.”

Com efeito, para homens e mulheres de hoje, São José é modelo de coragem, determinação, fé e amor a Deus. Que o Ano de São José nos faça ter esperança de que o protetor da Igreja, nosso protetor, também nos ensinará a experimentar o amor de Deus em nossas vidas.
 
 

Carlos Eduardo Fernandes

Pastoral Litúrgica