Quaresma, tempo de conversão

Dentre todas as solenidades cristãs, o primeiro lugar é ocupado pelo mistério pascal, onde devemos nos preparar para vivê-lo convenientemente. Por isso, foi instituída a Quaresma, um tempo rico de quarenta dias para chegarmos dignamente à celebração do Tríduo Pascal, buscando por meio da oração, da caridade e da penitência alcançar os olhos de Deus.

A Quaresma, como prática obrigatória, foi instituída no século IV, mas, desde sempre, os cristãos se preparavam para a Páscoa com oração intensa, jejum e penitência.

O número quarenta tem um significado simbólico-bíblico: quarenta são os dias do dilúvio (Gênesis 7), da permanência de Moisés no Monte Sinai (Êxodo 19,24), 40 dias das tentações de Jesus (Mateus 4,3-11). Guiados por esse tempo e pelas práticas, buscamos os tesouros da fé para crescer no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A atitude de conversão deve ser vivida através de uma profunda reflexão, trabalhando intimamente aquilo que devemos melhorar como filhos e filhas de Deus.

Nesta quaresma, Jesus nos convida por meio da oração a um encontro íntimo com o Senhor, abreviando as distâncias criadas pelo pecado. Bem como, empregar a caridade e acolher quantos têm necessidade do nosso tempo, da nossa amizade, da nossa ajuda e principalmente das nossas orações.

A Igreja nos propõe o jejum como uma maneira de nos educar, de aprendermos a dominar nosso corpo e também nossas inclinações. O jejum e a penitência não são para que sintamos fome ou passemos necessidade. A penitência é “uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração” (cf. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1431). Ou seja, essas práticas espirituais servem para nos ajudar a encontrar Deus por meio da oração não para nos satisfazer com uma dieta espiritual.

Vale lembrar que a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, devem ser observadas em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem ser observados o jejum e a abstinência. (Código de Direito Canônico, cânon 1250).

No Brasil, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou trocar a carne por outro alimento.

A cor roxa utilizada neste tempo litúrgico possui significado penitencial. Ela é sinal e recordação de penitência que integra o processo de conversão, onde todos nós somos chamados a viver a misericórdia de Deus por meio de ações e gestos concretos, recolhendo as nossas mazelas e se esforçando pela luta contra o pecado.
Sempre comportará a renúncias e sacrifícios; o mesmo ocorre quando se busca o crescimento na vida cristã, como a vivência de um amor em comunidade.

Na Quarta-feira de Cinzas, ao recebermos as Cinzas em nossa fronte, ouvimos o convite de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). No momento da imposição das cinzas serve de lembrete para nós: “Lembra-te que do pó viestes e ao pó, hás de retornar”. A cinza quer demonstrar justamente isso; viemos do pó, viemos da cinza e voltaremos para lá, mas, precisamos estar com os nossos corações quebrantados e nossa alma preparada para assumir nossos compromissos com Deus.

Irmãos e irmãs, que neste tempo quaresmal que se aproxima, assumamos o nosso chamado a buscar, ainda mais, a misericórdia de Deus, por meio da oração e do sacramento da Reconciliação. A misericórdia de Deus transformará o nosso coração e nos fará experimentar um amor fiel.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

          

Juan Carlos dos Reis                       
Servo Grupo de Oração Nossa Senhora de Pentecostes.