A visita dos Reis Magos nos leva a ser Mansos e Humildes de Coração!

Dentro do calendário litúrgico da Igreja, um breve tempo de quatro semanas é dedicado a preparação para o Natal, esse tempo chama-se: advento! Do latim, adventum, que significa vinda ou chegada. É o tempo propício para nos prepararmos para a vinda do Messias do Pai, Jesus Cristo.

Dentro do esquema do advento, uma divisão em dois períodos é bastante nítida e importante: do primeiro ao terceiro domingo do advento e a semana que antecede o Natal. No primeiro, as características marcantes ficam por conta de um olhar mais escatológico, voltado para o fim dos tempos, o que inclui uma dinâmica que reflita sobre a vinda de Jesus Cristo seja ela no fim dos tempos, no dia a dia ou quando ocorreu há dois mil anos. O segundo período, referente a última semana do advento, a mesma que antecede o Natal, possui um caráter de preparação para o grande mistério da humanidade: um Deus que se rebaixa e assume a condição humana em todos os aspectos, com exceção do pecado. É um tempo sóbrio, de espera, marcas importantes que demonstram que o nosso coração ansioso aguarda a vinda do Messias libertador.

Como já citado, o tempo do Advento é dividido em quatro semanas. Em cada eucaristia celebrada dominicalmente um novo aspecto desse tempo é ressaltado e trabalhado em nossas vidas e corações.

No primeiro domingo é marcado pelo sentimento de vigilância. Aquele que espera vigilante, em sinal de vigília, de espera, que se prepara para um grande encontro, nesse caso, um encontro com o próprio Cristo Jesus. O segundo domingo aborda a temática da conversão, em especial ilustrando o papel precursor de João Batista, um convite a conversão também é um convite ao sacramento, em especial o sacramento da confissão, convertendo dos nossos pecados e esperando a vinda do Messias.

O terceiro domingo reserva uma temática especial sobre a condição de Maria, mãe de Deus e nossa,

Neste Domingo da Epifania, celebramos a manifestação de Cristo aos três reis magos. Guiado por "uma luz humilde, como faz parte do estilo do Deus verdadeiro".

Aqui, então, se apresenta aquela famosa citação d’As Confissões de Santo Agostinho: "Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso".

O fato de serem pagãos, com efeito, não impede aqueles magos de reconhecerem no pequeno menino envolto em faixas o rei que lhes havia de nascer. Pelo contrário, prostram-se para adorá-Lo, dando-Lhe como presente "ouro, incenso e mirra". Eles adoram o Verbo Encarnado, o Deus que se fez homem para nos redimir de toda falta e toda culpa. A Solenidade da Epifania recorda-nos, por sua vez, que o único lugar onde, de fato, podemos encontrar Deus nesta Terra é na humanidade de Jesus. É algo de grande importância para a nossa fé, sobre o qual devemos insistir e meditar repetidas vezes - mormente nestes tempos em que a separação entre o Cristo histórico e o Jesus da fé é promovida a olhos vistos, mesmo dentro da Igreja. A troco de uma suposta paz duradoura, em que se haja um único governo mundial e, obviamente, uma única superreligião, não são poucos os que se propõem a jogar fora a verdade de nossa fé. À revelia do depósito Sagrado da Doutrina Cristã, esses novos patronos da razão esclarecida jogam toda sorte de dúvida sobre a natureza humana e divina de Cristo, ressuscitando nos dias de hoje o antigo fantasma da heresia gnóstica.

Durante séculos, a Igreja precisou se manifestar contra essa tentação perniciosa em que se concebe um fé cristã desencarnada - sem necessidade da Igreja e dos sacramentos -, e alimentada por supostas experiências místicas e "encontros pessoais". Nesta seara, lutou bravamente Santa Teresa de Jesus. Conforme relatos de seu Livro da Vida, a santa de Ávila teve de lidar com certos "entendidos e letrados" que, absurdamente, advogavam a devoção à humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo como coisa de iniciantes. Para estes, a espiritualidade das almas "evoluídas" deveria ir para Deus; a frequência aos sacramentos era posta de lado, julgava-se coisa obsoleta. Não obstante, contrariando aqueles ideais, Santa Teresa diz às claras que a devoção à humanidade de Jesus consiste em algo fundamental para qualquer cristão, de qualquer época e em qualquer lugar. E foi assim que ela introduziu entre os carmelitas a fé no Verbo Encarnado. É famoso o episódio em que, subindo as escadarias de seu carmelo, a santa encontra um menino e ele lhe pergunta: - "Quem é você?" - ao que ela responde: - "Eu sou Teresa de Jesus, e você?": - "Eu sou Jesus de Teresa".

No capítulo 26 de Caminho de perfeição:

[...] Assim, irmãs, não vos julgueis para tão grandes trabalhos, se não sois para coisas tão poucas; exercitando-vos nestas, podereis chegar a outras maiores. O que podeis fazer para ajuda disto é procurar trazer uma imagem ou retrato deste Senhor que seja a vosso gosto, não para trazê-lo no seio e nunca para ele olhar, mas para falar com Ele muitas vezes, que Ele mesmo vos ensinará o que Lhes haveis de dizer. Assim como falais com outras pessoas, por que hão-de faltar-vos mais as palavras para falardes com Deus?
De igual modo, nesta Solenidade da Epifania, em que Jesus apresenta-se como o Deus feito homem, outra Teresa vem nos ensinar a como adorar o pequeno grande Menino Deus. Imitando a ação dos três reis magos de dar presentes a Jesus, Teresa de Liseux, nos escritos de História de uma alma, apresenta-se também como presente ao menino, mas não como "ouro" ou "mirra"; como um brinquedo sobre o qual Jesus possa ter total domínio e autonomia. Nesta simplicidade, Santa Teresinha do Menino Jesus vem nos recordar que devemos nos entregar a Deus sem reservas e sem qualquer receio, como verdadeiros filhos que se submetem à vontade dos pais.

Rezemos a Deus para que, percorrendo os passos dessas duas grandes santas, possamos fazer-nos simples "brinquedos" em Suas mãos de pequeno e frágil menino.

Amém.

Luiz Cristóvão Magalhães -
Vocacionado da Diocese de Itaguaí - RJ.