Sínodo da Amazônia

         “Toda autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei com que TODOS OS POVOS (Sem fronteiras) se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que eu vos ensinei. Eis que eu estarei convosco até o fim dos tempos”(Mt 28,18-20). Seguindo esta ordem expressa, especial missão confiada por Deus aos Apóstolos, a Igreja convoca, nos tempos de agora, o Sínodo da Amazônia. Mas, para evitar palpites ignotos, opiniões evasivas, falácias grosseiras, é bom esclarecer, afinal: O que é Sínodo? O que é Amazônia? Onde ela está? A quem ela realmente pertence?

          SÍNODO: A palavra “sínodo” vem de duas palavras gregas: “syn”, que significa “juntos”, e “hodos”, que significa “estrada ou caminho”. Logo, o Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma reunião do episcopado da Igreja Católica com o Papa para discutir algum assunto especial, auxiliando o Santo Padre no governo da Igreja.

           Desta forma, o Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma iniciativa missionária da Igreja, porque ela é uma Instituição autônoma no Mundo, estabelecida por Deus mesmo para zelar, a todo preço e a qualquer custo, até do próprio sangue, se preciso for, pelo direito, pela justiça, misericórdia, respeito, dignidade, autonomia e integridade de cada criatura da “CASA COMUM”.

           AMAZÔNIA: é uma floresta  que cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul. Esta bacia abrange 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 5 milhões e meio de quilômetros quadrados são cobertos pela floresta tropical.

.         Quando estes povos chegaram, a Amazônia já estava lá, por isso ela não é de ninguém Esta região inclui territórios pertencentes a nove nações. A maioria das florestas está contida dentro do Brasil, seguida pelo Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa). A Amazônia é um dos seis grandes biomas do mundo.

         Uma área de seis milhões de hectares no centro de sua bacia hidrográfica foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Patrimônio da Humanidade. A Amazônia também foi pré-selecionada em 2008 como candidata a uma das sete maravilhas naturais do mundo.

          Como podemos ver, a Amazônia é um tecido único em continuidade que pertence a vários povos diferente sem domínio  especial ou particular, mas ela se torna um patrimônio de todos e todos têm o dever de presevá-la de qualquer prejuízo. O único direito que cada povo tem é o dever de cuidar para que ninguém sofra as consequências de seus   prejuízos.

        Segundo alguns especialistas internacionais, a Amazônia é a segunda área mais vulnerável do planeta em relação à mudança climática provocada pelos seres humanos. Mediante esta verdade comprovada, o próprio Papa Francisco advertiu “que o futuro da humanidade e da Terra está vinculado ao futuro da Amazônia”

        O grande conflito que emerge desta situação é o fato de grandes corporações depredadoras estarem na concorrência de subtrair benefícios da área em favor próprio. Muitas dessas empresas já sabem que só podem manter seus negócios em altas tranzas comerciais  os golpes profundos dos insaciáveis garimpeiros e com o consumo predatório garantido pela fúria dos desmatamentos, desconhecendo qualquer tipo de consideração que não favoreça os seus interesses de consumo em altíssima escala. O universo e a sobrevivência do Planeta que se virem. O lucro é a força da cegueira destas organizações “ECOCIDAS”, treinadas para matar o Ecossistema da vida na Criação. Mediante tal constatação,  o  Papa Francisco convocou um Sínodo Pan-amazônico para outubro do corrente ano cujo tema é: ”Amazônia: novos caminhos da Ecologia integral para a Igreja”. Trata-se de uma aplicação de sua encíclica “sobre o cuidado da Casa Comum” para evitar uma catástrofe socioecológica mundial. Não se trata de uma ecologia ambiental e verde,  mas de uma ecologia integral, que envolve o ambiente, a sociedade, a política, a economia, o cotidiano e a dimensão espiritual.

      No centro das deliberações estará a situação dos povos da Amazônia: problemas que surgem da exploração descontrolada da riqueza natural da Amazônia e afetam a ecologia da Região; os desmatamentos, garimpos descontrolados, grandes projetos hidroelétricos, culturas exclusivas para exportação e desrespeito às tribos indígenas, suas culturas e territórios de domínio.

       O que está sendo queimado na Amazônia não são só árvores, plantas, madeiras e campos não, mas também crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres, tribos indígenas, famílias inteiras expulsas de suas casas, de seus espaços de direito `sobrevivência, para dar lugar ao gado, às máquinas, garimpos e explorações desenfreadas.

       Ali é um território de Missões e a Igreja tem com este povo um compromisso sagrado. Em sã consciência, a Igreja não pode abandonar este espaço reservado para Cristo. O Sínodo é Cristo que se manifesta lá onde a Igreja já está e atua desde o século 17.

      Neste oficial Encontro estarão presentes os Bispos Diocesanos de todas as nove províncias eclesiásticas da Região Pan-amazônica, incluindo Bolívia, Brasil, Equador, Peru, Colômbia, Venezuela, Guianas e Suriname. Também participarão alguns membros dos dicastérios da Cúria Romana, membros da eclesial rede Pan-amazônica (REPAM) e representantes do Conselho que prepararam o Sínodo.

      Além disso, estarão presentes alguns religiosos que se envolvem pastoralmente na Amazônia, escolhidos pelos Superiores Gerais. O Papa Francisco também nomeou alguns peritos, leigos e eclesiásticos, que ajudarão na redação dos documentos do Sínodo. Terão direito à voz os representantes do “grito do povo” amazonense. O quadro então se completa com os observadores, os delegados das Igrejas Cristas, que atuam na Amazônia e representantes das Instituições e religiões não cristas.

       Os interessados em não deixar o Sínodo acontecer já estão espalhando que a Igreja está a serviço de estrangeiros. Está, sim, a serviço do mundo inteiro, do jeito que Jesus ordenou e daí?....O Papa Francisco afirmou: “o Sínodo sobre a Amazônia é uma reunião de urgência”, uma reunião de pastores. “A Amazônia envolve nove países, portanto, não se trata de uma só nação. Penso na riqueza da biodiversidade amazônica, vegetal e animal: é maravilhosa”.

       01) A Igreja jamais seria contrária à soberania nacional nem à autodeterminação de nenhum país, nem convoca bispos para tramarem contra os legítimos interesses de cada povo e cada país......

          02) Convém lembrar que os missionários estão nos rincões mais retirados da Região Amazônica desde o século 17 e para lá não foram para escravizar indígenas, levar embora suas riquezas e devastar a natureza...... “Muito ao contrário, por muito tempo eles foram os únicos a tomar a defesa dos povos originários da Amazônia contra a ganância de quem ameaçava sua liberdade, suas terras e culturas”.

         03) A Igreja está incumbida por Jesus Cristo a dar seu juízo moral, inclusive sobre matérias referentes à ordem política quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa, das etnias da Amazônia ou a salvação das almas.

         04) Para preparar o evento, a Igreja consultou diretamente mais de 80 mil pessoas dos países amazônicos, durante quase um ano – incluindo representantes de 172 etnias indígenas. Por isso, os religiosos têm insistido em dizer que o Sínodo está fortemente embasado “na voz ativa dos povos indígenas e das comunidades tradicionais”. “O Sínodo não vai questionar o modelo de desenvolvimento da Amazônia. Quem está questionando são os povos amazônicos.

         Por fim podemos entender que a verdade é esta: A Terra não pertence a ninguém. É um bem comum de toda a humanidade e de toda a comunidade da vida (animais, árvores, microrganismos etc.). A Amazônia é parte da Terra; O Brasil não é o senhor da Amazônia. A Amazônia é de toda a Terra, de toda a humanidade. O Brasil possui apenas a gestão dessa parte e, ouvindo o eco dos últimos clamores do Mundo inteiro contra nós, não há como negar que ele a administra mal e de forma não responsável. Chega! Já passou da hora de acontecer um SÍNODO que ponha os pingos nos ÍS e jogue as cartas na mesa. Amém.

 

Monsenhor Benedito Domingues de Paulo
Vigário Paroquial