Confiemos na Misericórdia. Sejamos misericordiosos!

O segundo domingo da Páscoa, a pedido de Jesus, é dedicado à sua Divina Misericórdia. Nesse dia, nós lembramos as revelações particulares feitas pelo Senhor à religiosa polonesa Faustina Kowalska. No início do século XX, sobretudo no período entre as duas grandes guerras, Jesus aparece a essa religiosa, hoje canonizada, e lhe revela o insondável oceano de sua misericórdia, “ultima tábua de salvação” oferecida à humanidade, tão longe de Deus.

As revelações feitas pelo Senhor à santa Faustina foram consignadas, por ela, num diário, hoje traduzido em vários idiomas ao redor do mundo. Numa dessas aparições, Jesus mandou Santa Faustina pintar uma tela, onde se vê raios azuis e vermelhos saindo de seu peito aberto. Segundo o Senhor, representam o sangue e a agua derramados na cruz, fonte de misericórdia para todos os pecadores que confiam nele. Embaixo, sob os pés chagados de Jesus, se lê a inscrição: “Jesus, eu confio em Ti”.

Tal revelação veio confirmar aquilo que a Igreja, ao longo dos séculos já vivia nesse domingo em sua liturgia. O segundo domingo da Páscoa era chamado de Domingo “In Albis”, ou seja, quando os catecúmenos, batizados na Vigília Pascal, depunham a veste branca do batismo e iniciavam o “tempo da mistagogia”, ou seja, tempo de se aprofundar na vivência da fé cristã abraçada no Batismo, confirmada na Crisma e alimentada pela Eucaristia.

Essa experiência das primeiras comunidades serve de chave de leitura para vivermos bem, não somente a devoção à Divina Misericórdia, mas a mesma em nossas vidas. “Dai graças ao Senhor porque ele é bom: sua misericórdia é para sempre” (Sl. 117,1). A misericórdia de Deus perpassa a nossa vida e, em todos os momentos e acontecimentos, Jesus nos mostra suas chagas e nos dá o perdão, como fez com os apóstolos e, sobretudo, com São Tomé. Precisamos confiar mais na presença viva do Senhor em nosso meio. Ele deseja entrar em nossas vidas e nos dar a paz. Confiar nele é caminhar com segurança, sabendo que sua misericórdia não nos falta.

Todavia, a experiência da Misericórdia Divina não pode ser restringida a uma devoção ou mero sentimentalismo, mas uma adesão pessoal em ato de fé no amor do Senhor, que o levou à cruz por nós. Confiar em Deus é, não nos entristecermos com a gravidade dos nossos pecados, mas buscá-lo confiantes no Sacramento da Reconciliação, crendo que Ele nos perdoará. Confiar em Deus e na sua misericórdia é vivê-la, também, com os irmãos e irmãs. Papa Francisco ressaltou esse dado, em sua homilia, na missa do segundo domingo da Páscoa de 2021, na basílica do Divino Espírito Santo, in Sássia, Roma. O pontífice disse em sua homilia que fazer a experiência da Divina Misericórdia tem que nos motivar a tocar nas chagas de Jesus, nas pessoas doentes, famintas, solitárias e pobres, não sendo indiferentes aos seus sofrimentos. “Nós, que tantas vezes recebemos a sua misericórdia, sou misericordioso com os outros?”... “Não vivamos uma fé pela metade, que recebe, mas não dá, que acolhe o dom, mas não se faz dom. Recebemos misericórdia, tornemo-nos misericordiosos”. Esse é o sentido profundo não só dessa festa, mas de toda a fé Cristã. “Bem-aventurados os misericordiosos, pois eles alcançarão Misericórdia” (Mt. 5, 7). Que Deus nos abençoe. Um abraço de Feliz Páscoa para você, querido leitor, e toda a sua família!

 

Padre José Procópio Júnior